Duas pessoas, Sallah Abu Seiff e Yussef Chabine, afirmaram-se num
país que teve uma história bastante movimenta entre 1945 e 1958. O mais velho
dos dois, Sallah Abu Seiff, estreou aos dezesseis anos, em 1932, e foi durante
muito tempo montador, antes de dirigir em 1947 o primeiro filme, Daiman Fi
Qalbi. Seu primeiro sucesso, Os Amores de Antar e de Walbla, com
Kuka e Serag Munir, foi uma bela lenda árabe; mas seu temperamento o levava de
preferência a assuntos modernos, como no seu excelente Lak yom va Salem
(Teu dia Chegará) ou Osta Hassan (O Operário Hassan), que sofreu as
imposições da censura de Faruk quando mostrava os meios populares. Em Al
Wache (O Mostro), realizado depois da proclamação da República no Egito, a
interpretação de Answar Wagoli foi um pouco exagerada, mas o diretor possuía a
arte da boa narração e sabia descrever ambientes. Ele o demonstrou ainda melhor
em A Sanguessuga, filme dominado por uma excelente composição de Tahia
Carioca, e que foi ótima descrição da vida popular e artesanal de uma rua
popular do Cairo.
Yussef Chabine aprendeu seu ofício em Hollywood. Foi influenciado
pelo melhor cinema americano e o final do seu Seraa Fil Wadi (Céu de Inferno),
por exemplo, foi comprometido por introduzir uma perseguição dramática
inspirada por Hitchcock.
O rumo do novo cinema – e da política – no Egito, manifesta-se por
várias tentativas de renovação dos assuntos, e isso já antes da revolução que
destronou Faruk. Ibrahim Ezzeldine, em Zoubour el Illam (O Nascimento do
Islam, 1951) mostrou com convicção a época de Maomé. Em Moustapha Kamel
(1952), Ahmet Badrakan tomou por herói um dos fundadores do nacionalismo árabe.
Hussein Sedki, em Yacott el Estelmar (Abaixo o Colonialismo) mostrou as
lutas contra os ingleses. Esses filmes valeram por sua tentativa, mais do que
por sua realização. Dahab, de Anwar Wagdi, Maawed Maal Haya
(Encontro com a Vida) de Abbas Kamel, Anissa Hanafi, de Fatine Abdel Wahab,
filmes de assuntos monos empenhados, foram por vezes mais bem realizados.
Por outro lado, é significativo que em Vida ou Morte (no
qual um farmacêutico procura uma menina a quem vendera por engano um veneno, em
vez de um medicamento), filme menor, realizado e interpretado pelos veteranos
Kamal El Cheikh e Yussef Wahaby, a ação se passava nos bairros pobres do Cairo.
Desde 1950, o cinema egípcio tendia a sair dos salões e dos cabarés onde muitas
vezes se encerrava. Através de um contato com a realidade do país, filmes servidos
por excelentes atores, cineastas e técnicos podiam rapidamente afirmar-se por
um estilo original e novo. Com este histórico, o horizonte do cinema egípcio
tenderá para as realizações árabes.
Histoire Du Cinéma Mondial, por Georges Sadoul.
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