terça-feira, 2 de abril de 2013

O início do cinema no Egito



Duas pessoas, Sallah Abu Seiff e Yussef Chabine, afirmaram-se num país que teve uma história bastante movimenta entre 1945 e 1958. O mais velho dos dois, Sallah Abu Seiff, estreou aos dezesseis anos, em 1932, e foi durante muito tempo montador, antes de dirigir em 1947 o primeiro filme, Daiman Fi Qalbi. Seu primeiro sucesso, Os Amores de Antar e de Walbla, com Kuka e Serag Munir, foi uma bela lenda árabe; mas seu temperamento o levava de preferência a assuntos modernos, como no seu excelente Lak yom va Salem (Teu dia Chegará) ou Osta Hassan (O Operário Hassan), que sofreu as imposições da censura de Faruk quando mostrava os meios populares. Em Al Wache (O Mostro), realizado depois da proclamação da República no Egito, a interpretação de Answar Wagoli foi um pouco exagerada, mas o diretor possuía a arte da boa narração e sabia descrever ambientes. Ele o demonstrou ainda melhor em A Sanguessuga, filme dominado por uma excelente composição de Tahia Carioca, e que foi ótima descrição da vida popular e artesanal de uma rua popular do Cairo.
Yussef Chabine aprendeu seu ofício em Hollywood. Foi influenciado pelo melhor cinema americano e o final do seu Seraa Fil Wadi (Céu de Inferno), por exemplo, foi comprometido por introduzir uma perseguição dramática inspirada por Hitchcock.
O rumo do novo cinema – e da política – no Egito, manifesta-se por várias tentativas de renovação dos assuntos, e isso já antes da revolução que destronou Faruk. Ibrahim Ezzeldine, em Zoubour el Illam (O Nascimento do Islam, 1951) mostrou com convicção a época de Maomé. Em Moustapha Kamel (1952), Ahmet Badrakan tomou por herói um dos fundadores do nacionalismo árabe. Hussein Sedki, em Yacott el Estelmar (Abaixo o Colonialismo) mostrou as lutas contra os ingleses. Esses filmes valeram por sua tentativa, mais do que por sua realização. Dahab, de Anwar Wagdi, Maawed Maal Haya (Encontro com a Vida) de Abbas Kamel, Anissa Hanafi, de Fatine Abdel Wahab, filmes de assuntos monos empenhados, foram por vezes mais bem realizados.
Por outro lado, é significativo que em Vida ou Morte (no qual um farmacêutico procura uma menina a quem vendera por engano um veneno, em vez de um medicamento), filme menor, realizado e interpretado pelos veteranos Kamal El Cheikh e Yussef Wahaby, a ação se passava nos bairros pobres do Cairo. Desde 1950, o cinema egípcio tendia a sair dos salões e dos cabarés onde muitas vezes se encerrava. Através de um contato com a realidade do país, filmes servidos por excelentes atores, cineastas e técnicos podiam rapidamente afirmar-se por um estilo original e novo. Com este histórico, o horizonte do cinema egípcio tenderá para as realizações árabes.
Histoire Du Cinéma Mondial, por Georges Sadoul.

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