PAMUK, Orhan. Meu nome é vermelho. Ed. Companhia das Letras.
Orelhas do livro:
Na Istambul do fim do século XVI, em comemoração ao primeiro
milênio da Hégira, o sultão encomendou um belíssimo livro que representasse o
poder e a riqueza do Império Otomano, que vivia o seu apogeu. Os mais renomados
pintores miniaturistas são convidados a iluminá-lo, mas a missão é das mais
perigosas. O sultão quer demonstrar ao doge de Veneza a superioridade do mundo
islâmico, e para isso pede iluminuras feitas com as técnicas ocidentais da
então florescente pintura renascentista – o que vai de encontro a um preceito
básico do islã, segundo o qual toda arte figurativa constitui uma afronta.
O desaparecimento de um dos miniaturistas parece comprovar o
risco da empreitada. Rivalidade profissional, crime passional ou terror
religioso? A única pista deixada – um cavalo de estranhas narinas desenhado no
corpo do morto – só faz aumentar a intriga. E um novo assassino vem complicar
ainda mais o caso.
De volta a Istambul após doze anos de ausência forçada.
Negro é incumbido de desvendar o mistério. Seu prazo, porém, é exíguo: ele tem
apenas três dias para encontrar o assassino – e ganhar a mão da bela Shekure,
seu primeiro e único amor.
Diversas vezes se alternam nessa trama multifacetada,
contada por dezenove narradores diferentes – entre eles um cachorro, um
cadáver, uma moeda falas e a cor que dá nome ao livro. O pleno domínio do foco
narrativo e a forma extraordinária de contar a história rendeu a Pamuk prêmios
e elogios respeitáveis – o escritor americano John Updike chegou a compará-lo a
Marcel Prost.
Repleto de reviravoltas e construído na confluência da arte,
da religião e da filosofia, Meu nome é Vermelho mistura elementos do
romance policial aos do romance histórico. Esplêndida e misteriosa, aqui está a
Turquia da última década do século XVI – e, por tabela, também a dos dias de
hoje. Pois é Pamuk quem afirma: “Vivo numa cultura em que o choque entre o
Oriente e o Ocidente, ou a harmonia entre o Oriente e o Oriente, é nosso estilo
de vida. A Turquia é isso.”
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