quinta-feira, 28 de março de 2013

O leão e o chacal mercador





Orelhas do livro:

O Leão e o Chacal Mergulhador é um sedutor convite àqueles que admiram as narrativas árabes. O texto chega ao leitor através de um exemplar trabalho realizado pelo professor Mamede Jarouche, com tradução direta árabe, baseada em pesquisa de grande qualidade acadêmica, com linguagem adequada e fiel à cultura islâmica medieval.

O pesquisador já é conhecido pelas belíssimas traduções do Livro das Mil e Uma Noites com quem tem brindado o público de língua portuguesa. Traz-nos agora um fabulário do século XXI que corresponde, ainda que de forma aproximativa, aos Espelhos de Reis do Ocidente medieval. Sem o pesado rigor da escolástica cristã, o texto é uma verdadeira obra prima na tradição dos tratados políticos do medievo árabe. Versa sobre as relações dos letrados com o poder e a natureza ética de sua ação, utilizando-se da metáfora da personagem de outro fabulário, o chacal Dimna – que, ávido de aproximar-se do poder, consegue seu objetivo e torna-se conselheiro do rei Leão.

Segundo o tradutor e ensaísta, a narrativa estrutura-se a partir de uma fábula, espécie de “texto moldura” de onde se desdobram outras fábulas, cujo principal objetivo é ilustrar e particularizar os enunciados universalizantes dos conselhos, transformando-se em verdadeiras alegorias.

O leitor do século XXI poderá, de início, surpreender-se com um texto distantes e exótico, mas esta sensação de alteridade é rapidamente dissipada pela atualidade dos problemas políticos tratados e pelo agradalíssimo texto com que se depara.

Vânia Leite Fróes
Professora de história medieval da Universidade Federal Fluminense

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