Orelhas do livro:
O Leão e o
Chacal Mergulhador é um
sedutor convite àqueles que admiram as narrativas árabes. O texto chega ao
leitor através de um exemplar trabalho realizado pelo professor Mamede
Jarouche, com tradução direta árabe, baseada em pesquisa de grande qualidade
acadêmica, com linguagem adequada e fiel à cultura islâmica medieval.
O pesquisador já é conhecido pelas belíssimas traduções do Livro
das Mil e Uma Noites com quem tem brindado o público de língua portuguesa.
Traz-nos agora um fabulário do século XXI que corresponde, ainda que de forma
aproximativa, aos Espelhos de Reis do Ocidente medieval. Sem o pesado rigor da escolástica
cristã, o texto é uma verdadeira obra prima na tradição dos tratados políticos
do medievo árabe. Versa sobre as relações dos letrados com o poder e a natureza
ética de sua ação, utilizando-se da metáfora da personagem de outro fabulário,
o chacal Dimna – que, ávido de aproximar-se do poder, consegue seu objetivo e
torna-se conselheiro do rei Leão.
Segundo o tradutor e ensaísta, a narrativa estrutura-se a partir
de uma fábula, espécie de “texto moldura” de onde se desdobram outras fábulas,
cujo principal objetivo é ilustrar e particularizar os enunciados universalizantes
dos conselhos, transformando-se em verdadeiras alegorias.
O leitor do século XXI poderá, de início, surpreender-se com um
texto distantes e exótico, mas esta sensação de alteridade é rapidamente
dissipada pela atualidade dos problemas políticos tratados e pelo agradalíssimo
texto com que se depara.
Vânia Leite Fróes
Professora de história medieval da Universidade Federal Fluminense
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